Fortaleza prazeres da mesa

Cheguei em Fortaleza, que já conhecia de outras oportunidades, para uma palestra na primeira edição do Prazeres da Mesa ao vivo por lá e já no aeroporto o carinho e a gentileza da terra me conquistaram.

Fotos, autógrafos e carinhosos elogios ao meu trabalho me deram as verdadeiras e acolhedoras boas-vindas. O coquetel de inauguração foi regado a simpatia, sabores instigantes e gente de prosa da melhor qualidade. De lá este grupo de chefs e profissionais numa harmonia de servir de exemplo a qualquer grupo diplomático,e eu, seguimos numa das vans ( vale lembrar que proferi: “Existe vida divertida na van, confesso que ainda não sabia”)para um tradicional restaurante onde o proprietário se encarregou de nos acostumar “ muito mal”, pois recebemos um banquete de frutos do mar em várias fases. Voltei para o hotel guardando na memória e no paladar aqueles sabores e sensações, que só sentimos quando estamos verdadeiramente abertos ao novo e com apetite de aprender e sede de bons momentos.

O poeta Paula Ney lhe atribuiu a alcunha de “ Loira Desposada do Sol, e com razão, pois os dias são lindos e na manhã seguinte quando acordei e abri a janela vi descortinar um mar deslumbrante iluminado e refletindo tons que pareciam gritar: Bom Dia! Segui para o evento e como cheguei um pouco mais cedo, circulei por ali e vi alunos e interessados pela gastronomia lotando as salas e degustações e realmente participando, se integrando ao evento com uma empolgação contagiante. Mais um ponto positivo para este povo que tem no brasão local a inscrição “Fortitudine”, que significa – Força, Valor e Coragem. Adequado e verdadeiro, pude conferir. A palestra, mais um bate-papo próximo e entrosador, foi um sucesso e me deixou de coração apertado ao encerrar sob palmas de carinho e amizade, dizendo “Viva e OBRIGADO Fortaleza”.

Batizada em alusão ao forte Schoonenborch, ainda da época dos holandeses no século XVII, eis uma cidade encantadora. Resolvi passear e fui ao centro cultural Dragão do Mar de onde avistei um por do sol que já faz parte do meu álbum de imagens inesquecíveis. Esta terra letrada de José de Alencar e Raquel de Queiroz, demonstra cultura em vários cantos e outro nascido ali, meu amigo Tom Cavalcante, me traduz o bom humor dos habitantes e um som gostoso e convidativo de boas risadas entre aqueles que conversam e saboreiam o passar das horas com espírito leve e amabilidade.

Pedi para ficar na feira da orla, que já havia visitado em outros momentos e me entreguei às rendas e artesanatos de uma sutileza e qualidade que naturalmente fascina os apreciadores do talento e bom gosto. Enchi meu farnel, mais autógrafos e fotos simpáticas e decidi seguir caminhando até o hotel. Conversei com várias pessoas, prestei atenção ao movimento e durante esta pequena jornada avaliei minha estada e me senti gratificado. Ao chegar, tive que esperar por algumas horas, pois embarcaria na madrugada. Pedi um geladíssimo espumante e degustei Fortaleza em goles lentos e prazerosos. Eis que surge meu amigo, o chef Yahn Corderón, convidado do evento.Ao afirmar que iria esticar mais uns dias para curtir aquele lugar especial,confesso que senti uma pontinha de vontade de plágia-lo, mas tinha realmente que retornar. Segui para o aeroporto pensando no que sentiu Franz Post ao chegar ali em 1641 e cheguei a conclusão que passados quase 370 anos devemos ter saboreado, cada um a seu tempo e maneira, uma experiência única.

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